Discurso de agradecimento ao mentor: a resposta curta
Um discurso de agradecimento ao mentor ganha vida com uma situação que só aconteceu entre vocês os dois: uma frase, uma correção, uma chamada à hora errada. Acrescenta-se a isso duas ou três etapas do teu percurso, uma prova do que resultou desse apoio e um agradecimento direto à pessoa. Três a cinco minutos são suficientes.
Há muitas ocasiões: a festa de doutoramento, a cerimónia de conclusão da formação profissional, a despedida do formador, o último dia de trabalho da chefe que te apoiou. A estrutura do discurso mantém-se a mesma em todos os casos.
A estrutura: quatro passos
1. O cenário. Começa com um momento que ambos reconheçam imediatamente: o resumo que voltou com 43 anotações; o primeiro dia de trabalho em que, em vez da serra, te deram uma vassoura. Duas frases e a sala já está dentro da vossa história.
2. O percurso. Duas ou três etapas em que o mentor fez algo concreto: abriu uma porta, rejeitou uma ideia, empurrou-te para um palco onde tu nunca te terias posto sozinho. Os momentos desconfortáveis também fazem parte disto, sobretudo esses.
3. O resultado. O que resultou desse apoio: o título, o certificado de qualificação, o emprego, uma atitude que adotaste. Basta uma prova, e esta tem maior impacto quando é mensurável.
4. O agradecimento. Dirigido diretamente à pessoa, pelo nome, olhando para cima do manuscrito. Menciona o que esse empenho te custou: noites, fins de semana, paciência. Uma promessa para o futuro («Um dia, vou apoiar a minha equipa assim») fecha o círculo.
A duração certa
Três a cinco minutos, ou seja, 400 a 650 palavras faladas. Numa cerimónia de doutoramento, onde também falam o reitor e o orador de honra, dois a três minutos são a melhor opção. Numa cerimónia de formatura, em que falas em nome da turma, três a quatro minutos são suficientes. É melhor planear um discurso mais curto: depois do teu discurso de agradecimento, toda a gente vai querer brindar com o orientador, e um texto conciso e intenso fica na memória por mais tempo do que uma retrospetiva de dez minutos.
Três variantes: orientador, formador, mentor
O orientador, a orientadora. A ocasião clássica é a cerimónia de doutoramento ou a despedida da cátedra. Homenageia o trabalho que não consta em nenhuma capa: pareceres, pedidos de financiamento externo, recomendações para conferências, aquele e-mail às 23h. O tema da tua tese merece, no máximo, uma frase; a noite é dedicada à orientação.
O mestre, a formadora. Cerimónia de conclusão de formação, festa de formatura, despedida da empresa. Aqui, o que conta são os aspetos concretos do ofício: regras, ditados, estaleiros, aquele erro que tiveste de corrigir três vezes. Se fores falar em nome da turma, pede antes a cada um uma mensagem de recordação.
A mentora no trabalho. A chefe vai para a reforma ou sai da empresa. Este discurso de agradecimento à mentora faz muitas vezes parte de uma festa de despedida maior, por isso mantém-no conciso e pessoal. Se acabaste de ser promovido e queres agradecer à equipa e aos teus mentores, o formato ideal é o discurso de promoção; o discurso de agradecimento mostra o enquadramento geral para discursos de agradecimento de todo o tipo.
O que importa na hora de escrever
Uma história concreta vale mais do que qualquer lista de qualidades. «Ele esteve sempre ao meu lado» não diz grande coisa. «Ele escreveu-me o relatório num domingo; o e-mail chegou às 23h12» diz tudo, e a plateia acredita logo.
Cita o mentor. Cada mentor tem frases que os seus alunos sabem de cor. Uma única citação literal («comprova ou risca») dá vida à pessoa na sala e dá ao discurso um ponto de referência, ao qual podes voltar no final.
Conta também os momentos difíceis. A caneta vermelha, a ideia rejeitada, o terceiro «Faz isso outra vez». Agradecimentos sem mencionar os momentos difíceis soam a cartão de felicitações. Quem conta os momentos difíceis e, em retrospetiva, reconhece que eles fizeram sentido, homenageia o mentor mais do que qualquer adjetivo.
Fala do preço. A orientação custa tempo, que ninguém paga e que raramente alguém vê. Fala disso: as correções ao fim de semana, as chamadas depois do trabalho, a paciência na terceira tentativa. É esta a parte do discurso que toca o próprio mentor.
A última frase é da pessoa. Nome, contacto visual, uma frase. Tudo o resto já foi dito nos quatro minutos anteriores.
Erros comuns
A canonização. Vinte superlativos, nenhum detalhe. Uma «pessoa fantástica e um cientista brilhante» permanece invisível; a anotação à margem a tinta vermelha fica gravada durante anos.
A tua própria história de sucesso. O discurso transforma-se, sem que se note, num autorretrato: o meu trabalho, o meu exame, o meu novo emprego. Regra geral: o mentor tem de aparecer em cada parágrafo.
Referências internas sem explicação. Metade do corpo docente ri-se, o resto da sala olha para o telemóvel. Ou explica em duas frases ou apaga.
A ironia como escudo. Quem tem medo de se emocionar refugia-se nas piadas e tira do discurso a única frase sincera, aquela por que todos vieram. Um momento com a voz embargada pode ficar.
A apresentação do currículo. Contar cronologicamente as etapas da carreira do mentor é tarefa do programa do evento. A tua tarefa é contar aquela história que só tu podes contar.
Encontras dois discursos completos e bem elaborados, com análise, nos nossos Exemplos de discurso de agradecimento ao mentor: uma doutoranda na cerimónia de defesa da tese, um aprendiz na cerimónia de conclusão da formação.
É assim que crias o teu discurso de agradecimento com o eloqole
Partilhas a tua história com o eloqole: como se conheceram, duas cenas, uma frase do mentor que ficou gravada na tua memória e a ocasião. A partir daí, surge um discurso de agradecimento no teu estilo, adaptado exatamente ao teu tempo de intervenção, com um final que se dirige diretamente à pessoa. Depois, aperfeiçoas o texto e ensaias em voz alta, especialmente as frases em que a voz te falha.