Discurso num evento de beneficência: a resposta curta
Um discurso num evento de beneficência dura entre dois a quatro minutos e tem quatro objetivos: mencionar o motivo do evento, tornar o objetivo concreto com um número, agradecer aos voluntários e dar início ao programa. O palco é para o concerto, a corrida, o bazar. O teu discurso abre a porta e depois dá-te à parte.
Evento de solidariedade ou gala de angariação de fundos?
O discurso na gala de angariação de fundos é um formato à parte: cinco a oito minutos de encenação que culminam num momento de angariação de fundos com um valor-alvo, proferido pela direção do projeto perante uma sala com cartões de doação. O evento de beneficência é o resto, mais vasto, do calendário: concerto de beneficência, corrida solidária, bazar, rifa, jantar de beneficência. Aqui, o dinheiro vem das entradas, das inscrições e da banca de bolos. E raramente é um profissional de angariação de fundos que está ao microfone; quem fala é a madrinha do evento, o presidente da associação, a diretora da escola. Esta página foi escrita precisamente para este tipo de discurso: curto, concreto, ao serviço dos outros.
A estrutura: quatro elementos
1. O motivo num só frase. O que se passa hoje e para quem. «Esta noite, 60 músicos vão tocar para a clínica pediátrica.» Sem preâmbulos sobre o tempo, sem enumerar todos os convidados de honra nos primeiros 30 segundos.
2. O objetivo com um número. O ponto fraco mais comum de qualquer discurso de angariação de fundos é o objetivo vago: «por uma boa causa», «para pessoas necessitadas». Em vez disso, diz o que vai acontecer com o dinheiro e como se pode medir o sucesso. «As receitas vão financiar dois quartos familiares, para que os pais possam passar a noite junto dos seus filhos doentes. Ainda faltam 18 000 euros.» Duas frases e todos os convidados sabem porque é que o seu bilhete valeu mais do que a simples compra de um bilhete.
3. O agradecimento. Aos voluntários que andam a carregar bancos desde de manhã, aos artistas ou corredores, aos patrocinadores. De forma concisa, com nomes e contribuições concretas, não como uma litania. Quem ler 14 logótipos de empresas perde a atenção da plateia logo no quinto.
4. A passagem do testemunho. A última frase dá o lugar ao programa: «E agora o palco é do coro.» Na corrida, é a contagem decrescente; no bazar, a abertura das bancas. Um discurso de beneficência termina com um sinal de partida, nunca com uma segunda linha de pensamento.
A duração certa
Dois a quatro minutos para o discurso de abertura, o que equivale a 260 a 520 palavras faladas. A saudação de um patrono dura entre dois e três minutos; o discurso antes do tiro de partida de uma corrida, 90 segundos. A regra geral: cada minuto de discurso é um minuto a menos de programa, e o programa é a razão pela qual as pessoas pagaram o bilhete. Se estiverem previstos vários oradores, distribui as tarefas de antemão. O patrono faz as honras, a organizadora explica o objetivo, ninguém repete o que os outros já disseram.
Três formatos, três discursos
O concerto de beneficência. O discurso é feito antes da primeira peça, quando a atenção está no auge. Objetivo: agradecer aos músicos que tocam sem receber, mencionar as caixas de donativos e as receitas das bebidas, e depois é cena. Importante: confirma com a direção do concerto se há uma segunda intervenção curta durante o intervalo, por exemplo, para dar um balanço provisório.
A corrida solidária. Aqui há dois momentos para discursos. Antes da partida, o discurso de 90 segundos: o motivo da corrida, quanto vale cada volta, agradecimentos aos voluntários ao longo do percurso e aos patrocinadores, contagem decrescente. Depois da corrida, a cerimónia de entrega de prémios com o resultado: «Hoje correram 1 842 voltas, o que dá 3 684 euros.» Anunciar o resultado em voz alta faz parte do ritual; sem este número, a tarde parece incompleta.
Bazar, mercado de pulgas, jantar de solidariedade. Os formatos mais descontraídos, com o discurso mais curto. Bastam dois minutos para a abertura: objetivo, agradecimentos às doadoras de bolos e aos donos das bancas, abertura. Aqui, o tom conta mais do que a estrutura, porque o público já está à espera com os sacos de compras na mão.
Quem fala: três papéis
A madrinha, o padrinho. Dá peso ao evento de caridade e dá um rosto à causa. O formato é o discurso de boas-vindas: ligação pessoal à causa, reconhecimento aos organizadores, bons votos. Dois a três minutos, sem números detalhados; esses são da responsabilidade da organizadora.
A presidente da associação, o organizador. Faz o discurso de abertura propriamente dito, abordando o objetivo e os agradecimentos. Esta pessoa conhece os números e os voluntários pelo nome e é, por isso, a voz certa para os pontos dois e três.
A apresentação. Conduz o programa e encarrega-se de tudo o que surge entre os pontos do programa: anúncios, sorteio da rifa, resultados intercalares. Quanto mais clara for a divisão de papéis, mais curto será cada discurso.
O que importa na formulação
O objetivo precisa de uma imagem. «Dois quartos familiares, para que os pais possam ficar com os seus filhos à noite» tem mais impacto do que qualquer fórmula sobre uma boa causa. Se a tua associação ajuda pessoas, conta numas duas frases um caso concreto, de forma anónima e com o consentimento das pessoas envolvidas.
Agradece com ações, em vez de títulos. «A empresa Krause montou o palco de graça» é um agradecimento que a plateia vai guardar na memória. A mera menção do nome passa despercebida.
O público já está convencido. Quem está aqui pagou a entrada ou transferiu a quota de inscrição. Já não precisas de convencer mais ninguém. Agradece pela presença e mostra o que vai acontecer; isso convida a voltar.
A última frase encerra tudo. Escreve-a primeiro e à letra. Um final claro salva qualquer discurso; um final disperso arruína até mesmo um bom discurso.
Erros frequentes
O discurso torna-se ele próprio um ponto do programa. Oito minutos de discurso antes de um concerto pelo qual os convidados pagaram 15 euros: não é assim que se começa uma boa noite. Dois a quatro minutos, e depois música.
O objetivo vago. «Por uma boa causa» não diz nada a ninguém e deixa em aberto a questão de para onde vai o dinheiro. Um número e um objetivo criam confiança, especialmente junto de convidados que ainda não conhecem a associação.
A litania dos patrocinadores. Catorze nomes de empresas seguidos não são uma forma de valorização, são apenas uma lista. Agrupa-os, destaca três a cinco e dá destaque ao resto no programa.
Pátos de consternação perante o público festivo. Os convidados vieram para o concerto ou para a corrida. Seriedade quanto ao objetivo, sim; discurso fúnebre, não. O tom pode ser alegre, justamente porque a ocasião é séria.
Sem resultado no final. Se a noite angariou 4 200 euros, a sala merece saber esse valor ainda nessa mesma noite ou no dia seguinte, através dos canais da associação. Quem esconde o resultado, desperdiça a motivação para o próximo ano.
Encontras dois discursos completos e bem elaborados, um para o concerto de beneficência e outro para a corrida solidária, nos nossos exemplos de discursos de beneficência.
Como criar o teu discurso de beneficência com o eloqole
Indicas ao eloqole o formato, o objetivo com um valor, o teu papel e as pessoas a quem queres agradecer. A partir daí, surge um discurso com um enredo claro: ocasião, objetivo, agradecimentos, conclusão, com a duração exata de dois, três ou quatro minutos. Verifica os nomes e os números, ensaias uma vez em voz alta e a noite é toda tua.