Dois discursos completos de treinador para as duas salas onde os treinadores falam: o balneário antes do apito inicial e o salão de festas no fim da época. Clubes e nomes são inventados; as situações conhece-as quem orienta uma equipa. Por que o balneário e o salão de festas pedem dois discursos diferentes, explica-o a página Escrever um discurso de treinador.
Exemplo 1: O discurso no balneário antes da final
Situação: Final da Taça Distrital de andebol, equipa masculina, dois minutos antes de entrar no pavilhão; o adversário vive dos seus contra-ataques rápidos.
Então, ouçam. Dois minutos, depois vamos lá para fora.
Sabem o que torna a TSG forte: a primeira vaga. Onze dos últimos vinte golos deles contra nós caíram nos cinco segundos a seguir a perdermos a bola. Cortei as imagens, viram-nas todas na terça. Por isso, hoje, exatamente uma tarefa: depois de cada remate nosso, entre a bola ou não, os dois laterais recuam já a correr para lá da linha do meio-campo. Se o remate entrou, ouvem-no pelos festejos. Ficar a ver não precisam.
Se a vaga deles não sair, têm de ir para o ataque posicional, e aí, na primeira volta, segurámo-los em 22 golos. Este jogo, dá para o jogar os 60 minutos inteiros.
Marek, ficas com a saída inicial. O resto fica tudo como treinámos a semana inteira. Lá fora estão 300 pessoas, 250 delas de verde. Vieram por vocês. Deem-lhes 60 minutos do andebol que jogaram a época toda. Vamos lá para fora.
Porque funciona: O discurso anuncia a sua própria duração e cumpre-a. A única tarefa (o recuo dos laterais depois de cada remate) é tão concreta que qualquer jogador, ao minuto 43, ainda sabe o que se lhe pede. A confiança na vitória vem de provas: as imagens de vídeo cortadas, os 22 golos da primeira volta. Nem uma frase sobre luta, vontade ou coração; o número de espectadores, no fim, dispensa qualquer palavra de ordem, porque é um facto. E o último aviso antes de sair é uma escolha de pessoa, não um apelo: Marek, saída inicial. Assim o discurso termina no concreto.
Exemplo 2: O discurso de fim de época na festa do clube
Situação: Festa de fim de época de uma equipa da liga distrital de futebol, na sede do clube; permanência garantida na última jornada, depois de uma época cheia de lesões, cerca de 60 convidados.
Meus caros, fiquem descansados: falo menos tempo do que o árbitro Petersen costuma dar de descontos.
Quando arrancámos em agosto, tínhamos 19 jogadores de campo no plantel. Em novembro chegámos a estar em onze. Rotura do ligamento cruzado do Timo, fratura do metatarso do Selim, e ainda a habitual onda de constipações. Mesmo assim, em cada jornada havia um onze em campo. Duas vezes, só porque o treinador-adjunto Micha, aos 46 anos, se fez entrar a si próprio. O golo dele contra o Hartfeld, já agora, continua a contar, por mais vezes que digam que estava em fora de jogo.
Garantimos a permanência na última jornada, com o 2-1 em Ondrup. Digo-vos com franqueza: tenho mais orgulho nesta permanência do que na subida de há três anos. Nessa altura tínhamos o melhor plantel da liga. Desta vez tínhamos um plantel que se manteve unido.
Tenho de nomear algumas pessoas. A nossa fisioterapeuta, a Carla, fez esta época 84 sessões de tratamento, sem paga, depois do seu dia de trabalho. O responsável pelo campo, o Herbert, em fevereiro tirou a neve do campo três vezes às seis da manhã, para podermos sequer treinar. E o Timo: depois da rotura do ligamento cruzado, estiveste na linha lateral em 31 das 34 sessões de treino. Os mais novos viram isso. Uma coisa destas marca uma equipa mais do que qualquer discurso meu.
Para Jogador da Época escolhi o Jannik. Não aparece lá em cima em nenhuma lista de marcadores, porque no inverno se reconverteu de avançado para a posição de seis, onde o buraco era maior. Menos oito pontos de scorer do que no ano anterior e, ainda assim, o seu ano mais valioso para este clube. Jannik, chega-te a mim logo, que há uma coisa para ti.
Para a época que vem, voltamos a falar da metade de cima da tabela: o Timo regressa, o Selim está a recuperar, e sobem três miúdos dos juniores A que valem mesmo a pena. Mas isso é conversa para agosto. Hoje, o que vale é: o bar está aberto, a primeira rodada é por conta do treinador. Obrigado por esta época.
Porque funciona: A abertura deixa claro, logo com uma piada de dentro, que quem fala é o treinador e não um orador de festa. A época é contada como uma história (19 jogadores, depois onze, e mesmo assim um onze todas as semanas) em vez de uma lista de resultados. O agradecimento acerta nos invisíveis com números: 84 sessões, três vezes a tirar neve às seis da manhã. A escolha do Jogador da Época deixa um sinal que dura para lá da noite, porque põe a reconversão e o serviço à equipa acima dos pontos de scorer. E a perspetiva fica-se por um parágrafo, porque a noite é do balanço e do bar.
O padrão por trás disto
O balneário e o salão de festas pedem duas plantas. No balneário: uma tarefa, provas da própria época, menos de dois minutos, fecho no concreto. Na festa: a época como história, agradecimentos com nomes e números, uma distinção com mensagem, uma perspetiva curta. As duas têm em comum que cada frase só serve para esta equipa; as frases motivacionais de encomenda custam autoridade nas duas salas. A eloqole constrói-te os dois discursos a partir dos dados e nomes da tua época.