A partir de cerca de 40 ouvintes num espaço fechado, ou sempre ao ar livre, precisas de um microfone, senão as últimas filas perdem uma palavra em cada duas. Abaixo disso, a própria voz costuma chegar, se a sala não ecoar demasiado nem tiver ruído de fundo. Um teste simples de antemão: diz uma frase no volume normal de fala a partir da posição onde vais ficar, enquanto alguém na última fila ouve. Se essa pessoa precisar de pedir para repetires, precisas de amplificação, por mais pequena que a sala pareça. A técnica em si não é um pormenor secundário: um microfone que chia, um projetor que não arranca ou uma microfonia a meio de uma frase custam mais concentração do que qualquer nervosismo. A boa notícia: a maioria destes problemas pode afastar-se antecipadamente com poucos gestos, em vez de os improvisar ao vivo.
Microfone de mão e auricular: postura e escolha
Um microfone de mão segura-se a uma distância de um punho da boca, na vertical, não inclinado para o lado. Se a distância variar enquanto falas, o volume torna-se instável para o público, mais alto e mais baixo alternadamente, sem que dês por isso. Fala para dentro da cápsula, não ao lado dela, e não deixes o microfone descer assim que ficas absorto nos pensamentos. Um truque comprovado contra isso: segura o microfone ligeiramente inclinado à altura do peito em vez da barriga, assim a mão só desce por pura fadiga bastante mais tarde. Um microfone de auricular resolve exatamente este problema, porque a distância à boca fica constante, seja qual for o movimento ou a rotação da cabeça; vale a pena em discursos com muito movimento ou gestualidade, por exemplo uma apresentação com deslocações até ao ecrã. Um microfone de lapela é a solução mais discreta para ocasiões formais, mas tem uma desvantagem: se a cabeça vira para o lado, o volume muda de forma audível, porque a distância à cápsula aumenta. Fixa ainda o microfone de lapela uma mão abaixo do queixo, em vez de junto à gola, senão o tecido roça no microfone a cada movimento e produz um chiado que soa, pelas colunas, mais alto do que qualquer palavra.
Microfonia: o que fazer quando apita
A microfonia surge quando o som das colunas volta a entrar no microfone e se retroalimenta. O reflexo mais rápido é o que menos ajuda: não vires o microfone para longe de ti nem o feches na mão, isso muitas vezes agrava o problema. Em vez disso, dá um passo para longe da coluna, se souberes onde está, e sinaliza brevemente o volume, por exemplo com um olhar para a mesa de som. Com um microfone de lapela, ajuda aumentar a distância a uma coluna próxima, se necessário com um passo para o lado. E se apitar: para um instante, em vez de falares mais alto contra isso. Um técnico presente na sala costuma resolver isso em segundos, assim que perceber que a causa não és tu. A forma mais fiável de prevenir: fica, no teste de som, exatamente onde vais falar depois, e pede a alguém que ajuste o volume a partir daí, não a partir do sítio onde por acaso está a mesa de mistura.
Tamanho da sala e número de público: as regras práticas
Até cerca de 30 a 40 pessoas num espaço com isolamento normal, por exemplo uma sala de estar ou um salão pequeno, a própria voz chega, desde que fales deliberadamente mais alto e mais devagar do que numa conversa. A partir de 40 pessoas, ou num espaço com teto alto e superfícies duras, por exemplo pedra ou vidro, torna-se necessário um microfone, porque a reverberação engole sílabas. Ao ar livre vale outra regra: lá fora não há paredes que devolvam o som, por isso precisas quase sempre de amplificação, mesmo com uns modestos vinte ouvintes, assim que entre vento ou ruído da rua. Fica ainda de costas para a direção do vento, não de frente para ele: vento contrário leva a tua voz de volta para ti em vez de para o público. Numa apresentação de lançamento de produto com público empresarial, a regra costuma ser simples: assim que uma sala tem filas de cadeiras e não mesas, um microfone já está previsto, mesmo que a sala pareça pequena. Numa sede de associação com talvez 25 presentes, pelo contrário, a própria voz costuma chegar, desde que a sala não esteja aberta para um lado, por exemplo através de um postigo para a cozinha, que engole o som.
O mínimo do teste de som: três frases no volume real
Um teste de som é o único método fiável para saberes, antes do público, como soas, não é um extra só para profissionais. O mínimo: três frases, altas como estarão depois perante o público, não num tom de teste sussurrado. Uma frase para verificar o volume base, uma frase com os tons mais graves e mais agudos da tua voz, uma frase com uma pausa deliberada, para ouvir se passam ruídos de fundo. Fala a partir da posição onde vais mesmo ficar, não junto ao pedestal do microfone, porque muitos oradores dão um passo atrás a meio do discurso e só aí notam que o volume cai. Numa assembleia geral com vários oradores a alternar, o teste de som vale especialmente a pena, porque cada voz se projeta de forma diferente na sala e a regulação do orador anterior raramente serve.
Luz, encadeamento e armadilhas do projetor
Holofotes que incidem de frente no rosto encandeiam de tal forma que deixas de ver o público e olhas automaticamente para baixo, justamente no momento em que o contacto visual mais importa. Fica, a título de teste, na posição definitiva antes do evento e olha para a luz enquanto a sala ainda não está cheia; muitas vezes ainda dá para ajustar o ângulo de um holofote. Em discursos de apresentação com projetor espreita outra armadilha: o ecrã do portátil mostra muitas vezes uma proporção diferente da tela, e as notas em modo de apresentador desaparecem assim que o segundo ecrã não é corretamente reconhecido. Testa a ligação pelo menos quinze minutos antes, com o ficheiro real da apresentação, não só com o ecrã inicial. Leva também o cabo adaptador certo, HDMI e o adaptador USB-C comum, porque o adaptador disponível na sala do evento costuma, por experiência, servir para qualquer portátil menos o teu.
Plano B: o discurso sem nenhuma técnica
A técnica falha. Não é a exceção, é o caso normal, com o qual deves contar. Por isso, tem sempre na cabeça, para microfone de mão, projetor e música, uma versão que funcione mesmo sem eles: o discurso um pouco mais curto e com a própria voz mais forte, a apresentação como um resumo oral breve sem slides, a música simplesmente omitida se necessário. Quem já pensou este plano B com antecedência não entra em pânico quando a falha acontece de verdade, apenas muda de versão. Num roteiro de mestre de cerimónias com vários pontos do programa, isto é particularmente importante, porque uma falha técnica costuma afetar aí vários momentos seguidos, não só o próprio.
Do texto pronto à apresentação segura
As falhas técnicas conseguem preparar-se, o próprio texto não devia complicar ainda mais essa preparação. O eloqole escreve-te um rascunho que se sustenta mesmo sem microfone e sem projetor, porque é construído em frases claras e curtas, em vez de construções encaixadas que se perdem com má acústica. No teleponto integrado, podes ensaiar exatamente esse texto em voz alta no volume que usarás depois, não só baixinho à secretária, e assim notas de antemão quais as passagens que ficam demasiado baixas ou demasiado rápidas na sala real. Mais sobre a preparação em geral está no guia superar o medo de falar em público.