Luto e memória

Obituário

Escrever um obituário é homenagear uma vida em poucas linhas: seja para o boletim informativo da empresa, a revista da associação ou o jornal. O texto deve fazer justiça à pessoa e deve ser publicado em breve. O eloqole ajuda-te a encontrar as palavras certas, ao teu ritmo e sem fórmulas vazias.

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Última atualização: 9 de julho de 2026

O que é um obituário

Um obituário é um texto escrito que presta homenagem pública a uma pessoa falecida. É publicado no jornal, no boletim informativo da empresa, no boletim da associação ou numa página comemorativa na Internet. O discurso fúnebre é proferido durante a cerimónia fúnebre perante os presentes; o obituário é lido. O aviso de falecimento anuncia o falecimento com os dados biográficos; o obituário conta quem era essa pessoa.

A palavra mais antiga «necrologio» é considerada sinónimo; hoje em dia, refere-se principalmente a obituários de figuras públicas, que os grandes jornais diários têm preparados e guardados na gaveta desde meados do século XIX. A mensagem de condolências também tem um formato próprio: dirige-se diretamente aos familiares, sob a forma de cartão ou carta de condolências. O obituário dirige-se a todos os que conheceram o falecido e expressa publicamente as condolências.

Quem escreve um obituário raramente fala apenas por si: a empresa homenageia o seu colaborador de longa data, a associação o seu membro fundador, a família um ente querido. Para a memória pública em dias comemorativos e aniversários, existe o discurso comemorativo como formato próprio.

A estrutura: quatro elementos

Não é preciso nenhuma dramaturgia elaborada. São quatro os elementos que sustentam o texto, por esta ordem:

1. Nome e relação. Quem faleceu e que relação o autor tinha com o falecido? «Lamentamos a perda do nosso colega Heinrich Sander, que marcou a nossa oficina durante 31 anos.» O ano de nascimento e a data de falecimento fazem parte, mas de forma sucinta; afinal, já constam no obituário.

2. A homenagem. A parte principal do obituário: um mérito concreto. O que é que esta pessoa construiu, promoveu ou deixou para trás? No caso de um membro do clube, pode ser a secção juvenil que fundou em 1998; no caso de um colega, o arquivo que, sem ele, ninguém teria conseguido entender. Uma conquista concreta diz mais do que três parágrafos de elogios.

3. O toque pessoal. Uma característica de personalidade ou uma pequena anedota que mostre quem era a pessoa: o lugar habitual no balcão do clube, os cartões de aniversário escritos à mão para todos da equipa. Um detalhe desses transforma a homenagem numa recordação.

4. A fórmula de despedida. Uma ou duas frases para terminar: o que fica, e uma palavra para os familiares enlutados que lhes traga consolo. «As nossas condolências à família dele. Vamos guardar-lhe uma memória honrosa.» Também podes incluir aqui uma citação curta, se for adequada ao falecido.

O comprimento certo

O comprimento depende do local de publicação. No jornal, cada linha tem um custo; o habitual é entre 80 e 150 palavras, sendo que um breve obituário de cinco frases é perfeitamente adequado. O boletim informativo da empresa ou a intranet admitem entre 150 e 250 palavras. No boletim de uma associação, o habitual é ter entre 200 e 300 palavras, muitas vezes acompanhadas de uma fotografia. Só nas páginas comemorativas é que não há limite de espaço; mas mesmo aí, os obituários longos só se leem se cada parágrafo contar algo específico. Em caso de dúvida, vale a regra: melhor curto e concreto do que longo e solene.

Quatro variantes

O obituário empresarial. A empresa presta homenagem a um colaborador falecido, através de um anúncio no jornal ou de uma circular enviada aos colaboradores e colegas. O tom mantém-se objetivo e caloroso ao mesmo tempo: tempo de serviço, funções, uma contribuição concreta, uma frase sobre a pessoa. Combina antes com a família do falecido o que pode ser publicado.

O obituário da associação. Aparece no boletim informativo ou no site da associação e homenageia sobretudo o voluntariado: anos de filiação, cargos ocupados, empenho social. Aqui, as anedotas podem ter mais espaço do que no anúncio da empresa, porque muitos leitores conheciam o falecido pessoalmente.

O obituário no jornal. A família ou o círculo de amigos presta a última homenagem a uma pessoa particular. É a mais pessoal das quatro formas: poucas linhas, uma imagem da vida dessa pessoa, uma palavra de despedida.

Online e em páginas comemorativas. Páginas em memória na Internet, o livro de condolências da agência funerária ou o site da empresa. O texto fica lá acessível durante anos; escreve-o de forma a que ainda faça sentido daqui a cinco anos. Muitas páginas em memória permitem que os amigos acrescentem as suas próprias recordações do falecido.

O que importa na hora de escrever

«Faleceu de forma repentina e inesperada» só se for verdade. Esta fórmula aparece em milhares de anúncios, mesmo após uma longa doença. Quem a usa mal irrita todos aqueles que sabem que não é assim. Escreve o que é verdade ou omite as circunstâncias da morte; o texto não tem de as mencionar.

Méritos concretos, nada de superlativos. «Único», «insubstituível», «sempre exemplar» poderiam estar acima de qualquer nome. «Ele organizou todas as viagens do clube durante 25 anos» só pode estar acima deste. Ao escrever um obituário, o que conta é apenas se as palavras fazem parte dessa vida.

Calmo e digno, sem pathos. As frases curtas transmitem melhor o luto do que as enrolações. O texto pode ser simples; a dignidade surge da precisão, sobretudo num luto profundo. Quem, ao escrever o obituário, sentir os próprios sentimentos, pode mostrá-los: «Sentimos falta do seu riso no corredor» é uma frase completa e digna.

Erros comuns

A biografia em prosa. Nascimento, escola, profissão, reforma: quem se limita a enumerar as etapas mais importantes ainda não escreveu um obituário. Os dados são fornecidos pelo anúncio fúnebre; a homenagem mostra a pessoa por trás desses dados.

Publicar sem o consentimento dos familiares. Especialmente num obituário empresarial, vale a regra: as circunstâncias da morte, doenças ou detalhes privados só devem ser incluídos se os familiares concordarem. Uma breve chamada resolve isso.

Demasiados remetentes. Alguns obituários empresariais falam mais da empresa do que do falecido. O texto é dedicado à pessoa que partiu; o tom é que mostra o quanto a empresa está de luto.

Factos não verificados. Datas erradas ou um nome escrito incorretamente magoam os familiares mais do que qualquer omissão. Antes de publicar, pede a alguém que conhecia bem o falecido para rever nomes, datas e cargos.

Encontras três obituários completos e bem redigidos para empresas, associações e jornais nos nossos exemplos de obituários, com notas explicativas sobre o que cada um traz.

Como criar o teu obituário com o eloqole

Dás ao eloqole os dados essenciais: quem faleceu, a tua relação com a pessoa, um feito, uma recordação. A partir daí, surge um rascunho com o comprimento que o teu meio de comunicação permitir, seja um jornal, um boletim informativo ou uma página em memória. Revês cada frase, alteras o que não soa a ti e só publicas quando estiver tudo certo.

1

Conte

Palavras-chave, nomes, momentos — o eloqole faz as perguntas certas, notas soltas bastam.

2

Dê forma

Escolha o tom e o tempo de fala. Reorganize o esquema até encaixar.

3

Apresente

Leia o discurso pronto, afine-o e ensaie com o teleponto até dominá-lo.

Perguntas frequentes

+Como se começa um obituário?

Com o nome e a referência: «A Associação Musical de Lindau lamenta a morte do seu membro honorário Karl Weber.» Esta primeira frase diz quem faleceu e quem escreve. Segue-se, em seguida, a homenagem. Não é preciso nenhuma introdução solene.

+Qual deve ser o comprimento de um obituário?

No jornal, entre 80 e 150 palavras; no boletim informativo da empresa, até 250; no boletim da associação, até 300. Só as páginas comemorativas na Internet é que não têm limite. Um texto curto com uma recordação concreta tem mais impacto do que uma longa enumeração.

+Qual é a diferença entre obituário, necrologia e anúncio fúnebre?

O obituário anuncia o falecimento e indica a data do funeral. O artigo necrológico presta homenagem à vida do falecido num texto próprio. «Necrolog» é o sinónimo mais antigo; hoje em dia, refere-se principalmente aos artigos necrológicos de grandes jornais sobre figuras públicas.

+Quem escreve um obituário e quando é que ele é publicado?

Família e amigos, a entidade patronal ou a associação; no caso de uma personalidade conhecida, a redação. O normal é a publicação ocorrer uma a duas semanas após o falecimento da pessoa; no boletim da associação, só na próxima edição regular.

+Onde é que se pode publicar um obituário?

No jornal diário, no boletim informativo ou na intranet da empresa, no boletim da associação ou em páginas comemorativas na Internet, por exemplo, no site da agência funerária. Para as associações, o próprio site também é um bom local. Antes de publicares, verifica se a família concorda.

+O que é que se deve evitar ao escrever um obituário?

Factos não verificados, superlativos sem fundamento e expressões como «de repente e inesperadamente», quando não se aplicam. Os detalhes pessoais da pessoa falecida só devem ser incluídos com o consentimento dos familiares. E não copies o currículo: duas recordações concretas dizem mais do que isso.

+É adequado incluir uma citação ou uma frase num obituário?

Sim, para terminar: uma ou duas linhas que se adequem ao falecido, de preferência uma frase que ele próprio costumava dizer. Uma citação dessas parece mais pessoal do que qualquer frase de condolências tirada de uma coleção.

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