O que uma apresentação científica tem de ter
Uma apresentação científica é uma palestra, geralmente com uma duração de 10 a 20 minutos, que apresenta os resultados de uma investigação a um público especializado. A estrutura segue seis etapas: saudação com um gancho, questão de investigação, resultado principal, método, dados com contextualização e convite à discussão. Tudo se baseia numa única mensagem central.
A diferença em relação a uma apresentação empresarial está na obrigação de fundamentar as afirmações. Os conselhos de retórica dos seminários de liderança visam causar impacto; na sala de aula, cada número precisa de uma fonte e cada conclusão de um método subjacente. Mesmo assim, podes exagerar um pouco. Uma palestra não é uma publicação escrita: quem se limita a ler o que já está nos anais do congresso está a desperdiçar os seus 15 minutos.
Para os cientistas, a apresentação é também uma forma de construir reputação. Quem faz uma apresentação compreensível num congresso científico é citado, convidado e recomendado. Portais de carreira como o «academics» e os workshops práticos das academias de pós-graduação tratam, por isso, a arte de apresentar como uma competência própria, que se aprende tal como a escrita.
A estrutura: o IMRaD adaptado à apresentação
Os artigos seguem, em todo o mundo, o esquema IMRaD: Introdução, Métodos, Resultados, Discussão. Para uma apresentação científica, esta ordem só serve até certo ponto. Num artigo, o resultado pode aparecer na página 28; numa apresentação, deve surgir logo no segundo minuto: quem conhece os resultados consegue acompanhar o raciocínio. Eis como fica a estrutura adaptada:
1. Saudação e gancho. Uma frase sobre ti, depois um número ou uma situação que mostre o problema. O título no slide pode ser sóbrio, mas a tua primeira frase não.
2. Questão de investigação e relevância. O que querias saber e por que é que isso faz avançar a área. Basta uma frase por ponto.
3. O resultado principal. O resultado da tua investigação, antes de entrares em pormenores: «Analisámos 1 200 registos de doentes — e o efeito que toda a gente espera desaparece assim que se controla a idade.»
4. O método. A audiência precisa de três coisas: quem foi estudado, como foi feita a medição e por que é que o desenho do estudo permite responder à questão. Isso cabe em 90 segundos. Os detalhes vão para slides de apoio para a discussão.
5. Dados e contextualização na parte principal. Um número por slide, em grande, acompanhado de uma frase que explique o que isso significa na prática. Mostra as relações através de gráficos; ninguém consegue ler a tabela de regressão com 30 células no ecrã. Diz tu mesmo o que o estudo não consegue fazer; duas frases sobre as limitações tiram a ponta à pergunta mais crítica.
6. Mensagem principal e convite. A conclusão repete a única frase que queres que a plateia retenha e abre a discussão de forma direta: «O que me interessa especialmente: se alguém já replicou este efeito em populações clínicas.»
O fio condutor é a mensagem principal. Anota-a antes do primeiro slide; qualquer conteúdo que não a apoie, fora. Uma apresentação com duas mensagens não tem nenhuma. A apresentação foi um sucesso se, à noite, a plateia ainda conseguir repetir a mensagem principal.
Duração e tempo
O padrão nas conferências: 15 minutos de apresentação, 5 minutos de discussão. São cerca de 1 900 palavras faladas e, no máximo, 15 slides, sendo que doze é o ideal. Num colóquio, o habitual é entre 30 e 45 minutos; numa apresentação de póster, dois a três.
Respeita o tempo ao minuto. Quem se atrasa tira tempo ao orador seguinte, e qualquer presidente de sessão fica a tomar nota disso. As reduções fazem-se na preparação, nunca ao vivo, e cortam-se na metodologia e nos dados detalhados, nunca nos resultados e nas conclusões.
A dica mais importante para a preparação: faz uma apresentação de teste com cronómetro perante dois colegas, pelo menos um deles de uma disciplina vizinha. Vais perceber onde te atolas e receberás antecipadamente as perguntas que, com certeza, também vão surgir na sala. Por experiência própria: a apresentação a sério demora dez por cento mais tempo do que o ensaio, porque falas mais devagar assim que é a sério.
Variantes: apresentação em conferência, colóquio, apresentação de póster
A apresentação numa conferência. 15 minutos numa sessão com mais cinco intervenções, público especializado e heterogéneo, limite de tempo rigoroso. Aqui, o que conta é a concisão: uma conclusão, bem fundamentada, contada de forma cativante. Para a palestra principal convidada, com 45 minutos, aplicam-se outras regras: A palestra principal assenta numa tese e precisa de uma dramaturgia própria.
O colóquio. Num colóquio de investigação ou do instituto, o público conhece-te e as perguntas sobre métodos são bem-vindas. É permitido aprofundar mais na parte principal, mas a regra básica mantém-se: apresenta o resultado logo no início. Se for sobre a tua tese, encontras o formato do exame, incluindo a ronda de perguntas, na página Defesa da tese de final de curso.
A apresentação do póster. Dois minutos ao lado do teu próprio póster, de pé, a competir com o barulho da pausa para o café. Uma conclusão, um gráfico, uma pergunta para quem está à tua frente — não cabe mais nada, nem deve.
O que importa na forma como te expressas
Escreve em linguagem coloquial. A frase de artigo científico com três orações subordinadas é precisa por escrito, mas complexa quando falada. Orações principais curtas, verbos na voz ativa, termos técnicos só quando toda a sala os conhecer. O teste: a colega da disciplina vizinha consegue acompanhar cada frase? Falar de forma compreensível não compromete a precisão; os valores exatos estão no slide.
Pontos-chave no slide, texto da apresentação na cabeça. Uma apresentação improvisada transmite confiança. Resulta de um texto bem elaborado, que ensaiaste em voz alta tantas vezes até que os pontos-chave bastem como apoio à memória. Quem fala diretamente a partir dos pontos-chave divaga; quem lê o texto perde a atenção da sala.
Usa os recursos visuais com moderação. Um diagrama supera qualquer tabela. Vídeos curtos despertam o interesse do público, mas precisam de som testado. Dica: reproduz-os antes no computador da apresentação, nunca só no teu. Distribui os folhetos depois da apresentação; antes disso, o papel vai competir contigo pela atenção.
Fontes: poucas, mas bem escolhidas. Só as publicações científicas contam como referência; um artigo de jornal serve, no máximo, como gancho na primeira frase. No slide, coloca a referência resumida com autor e ano; a lista completa de bibliografia vai para o folheto.
Os factos precisam de significado. «Odds Ratio 2,3» não diz nada à audiência, «o risco duplica» fica na memória. Traduz cada número central numa frase concisa do dia a dia.
Os exemplos de apresentações de investigação, detalhados e comentados, mostram como deve ser uma abertura completa da apresentação e uma estrutura de slides com uma frase-chave por slide.
Os erros mais comuns
Quatro erros estragam quase todas as apresentações científicas, e todos eles são evitáveis:
Slides sobrecarregados. 200 palavras por slide obrigam o público a escolher: ler ou ouvir. Ninguém consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Uma ideia por slide, o resto é para dizer em voz alta.
Ler do manuscrito. Quem fica preso ao manuscrito perde o contacto visual, a gestualidade e o ritmo; o público desliga-se ao fim de dois minutos. Falar de improviso é o resultado de ensaios, vê «palestra de ensaio».
Jargão técnico perante um público misto. Em congressos interdisciplinares, as estatísticas sentam-se ao lado de profissionais. Os cientistas subestimam constantemente o quão específico é o seu vocabulário: cada abreviatura não explicada faz com que uma parte da sala se desligue; três delas acabam com a discussão.
O método domina a apresentação. Oito minutos a descrever a amostra e, depois, os resultados passam a correr em três minutos. Inverte a proporção: 90 segundos de método, o resto para os resultados e a interpretação.
Resta o nervosismo. A voz trémula no primeiro slide é normal e dá para treinar. O guia Medo do palco antes do discurso mostra as rotinas que funcionam antes da apresentação.
É assim que a tua apresentação surge com o eloqole
Dás ao eloqole a tua questão de investigação, a conclusão principal, os dados essenciais do método e o teu tempo disponível. A partir daí, surge uma estrutura para a apresentação com o resultado no início, seguida do texto falado completo para os teus slides, no tom próprio da tua área, em alemão ou inglês. Podes ajustar os termos técnicos e ensaiar no teleprompter até os 15 minutos ficarem perfeitos.