O que é um discurso de mesa
Um discurso de mesa é um breve discurso de dois a três minutos, proferido pouco antes da refeição. O anfitrião ou um convidado de honra dá as boas-vindas a todos, agradece aos convidados, conta uma anedota sobre o motivo pelo qual estão todos ali reunidos e termina com um brinde. Depois, bate-se os copos e chega o primeiro prato.
A diferença em relação ao brinde está na duração: o brinde é uma única frase com o copo erguido; o discurso à mesa é o pequeno discurso que o antecede. Da grande oração festiva, distingue-se pelo lugar no programa: a oração festiva vem depois da refeição e pode durar vinte minutos; o discurso à mesa ocorre entre os convidados e os seus pratos. Isso determina tudo o resto.
O momento certo: pouco antes da refeição
O discurso à mesa deve ser feito entre o aperitivo e o primeiro prato. Estão todos sentados, os copos estão cheios, ainda não se ouve o barulho dos talheres. Na maioria das festas, esta janela de oportunidade não dura nem dez minutos e não se repete: assim que os pratos estiverem na mesa, vais ter de falar perante sopa fria e olhares impacientes.
Combina tudo com a cozinha ou com o restaurante antes. Uma frase para a equipa de serviço («O primeiro prato só depois do brinde, por favor») evita que o empregado traga a terrina a meio da tua história.
Se houver vários oradores, é o anfitrião que abre o evento. Os restantes discursos são distribuídos ao longo da noite, sendo que o máximo é um por prato. Quatro discursos seguidos antes da refeição acabam com qualquer ambiente.
A estrutura: agradecimentos, motivo da celebração, brinde
Três passos, sempre nesta ordem:
1. Boas-vindas e agradecimentos. «Caros convidados» basta como introdução; depois, entra em pormenores: a irmã que percorreu 600 quilómetros; o vizinho que está a cuidar do grelhador desde as sete da manhã. Dois ou três nomes bastam. Quem enumerar toda a gente está a fazer uma lista de presenças.
2. O motivo. Porque é que estão todos sentados à mesa? Um aniversário redondo, um jubileu, um reencontro. Conta uma única história que mostre o convidado de honra tal como todos o conhecem. Uma anedota engraçada só funciona se for o próprio aniversariante a rir mais alto.
3. O brinde. Levantas o copo, olhas para a aniversariante ou para o convidado de honra e dizes uma frase: «À Christa, aos próximos 70 anos!» Todos se levantam, brindam e pronto. O brinde é o sinal de que o discurso acabou e a festa começa. Sem ele, a turma fica ali um momento sem saber o que fazer, à espera de mais.
Nesse formato, a parte principal e o final quase coincidem: a história é a parte principal, o brinde é o final. Não é preciso mais nenhum plano.
A duração: dois a três minutos, nem mais um segundo
250 a 400 palavras faladas, mais do que isso não cabe antes de uma refeição. Atribui-se a Mark Twain a frase de que um bom discurso precisa de um bom começo e de um bom fim, e ambos devem estar o mais próximos possível um do outro. Para o discurso à mesa, estas são as instruções completas.
A razão é prática: os ouvintes têm fome, a refeição tem um ritmo definido e a atenção do público está em alta antes do primeiro prato, mas é de curta duração. Passados três minutos, até um discurso bem-sucedido transforma-se num teste à paciência. Coloca um relógio ao lado enquanto ensaias; se, no ensaio, chegares aos quatro minutos, tira a segunda anedota.
Variantes: quem fala em que ocasião
Aniversário redondo. O parceiro, os filhos ou a melhor amiga fazem o discurso à mesa; o aniversariante responde mais tarde com um breve agradecimento. As felicitações de todo o grupo são reunidas no brinde no final.
Casamento. Tradicionalmente, o pai da noiva abre o jantar e o noivo agradece. O grande discurso de casamento e o breve brinde de casamento são formatos distintos, com regras próprias.
Aniversário da empresa e festa da associação. No jantar de aniversário, é a chefe ou o presidente que fala: agradecimentos à equipa, uma história dos primórdios, um brinde aos próximos anos. Quem conduz um programa noturno inteiro com vários pontos precisa de um formato diferente: a apresentação de um evento.
Refeições festivas em família. Natal, Páscoa, o jantar anual de verão: aqui basta um mini-discurso à mesa de um minuto. Três frases de agradecimento, uma frase sobre o ano, levantar o copo.
Ocasiões oficiais. Numa receção sem mesa posta, o formato adequado é o discurso de boas-vindas; para dar início a um congresso ou celebração, o discurso de abertura. Ambos são semelhantes ao discurso à mesa, mas são proferidos no púlpito.
O que importa na hora de escrever
Uma boa introdução diz logo do que se trata. «Caros convidados, antes de servir o primeiro prato: três minutos para a mulher por causa da qual estamos todos aqui.» Assim, todos à mesa sabem o que vai acontecer e quanto tempo vai demorar.
Uma história concreta vale mais do que dez adjetivos. «Generosa, calorosa, sempre disponível para todos» passa despercebido. A história do carro que avariou e do piquenique improvisado no Brenner continua a ser tema de conversa até à sobremesa. Escolhe a anedota de forma a que se adequem à ocasião e que todos à mesa a compreendam, incluindo a nova namorada do neto.
Fala de improviso com um cartão de notas. 250 palavras cabem em cinco pontos-chave num cartão de notas. Assim, manténs contacto visual com o convidado de honra e com os ouvintes, e o discurso soa como se estivesses a contar uma história. A primeira frase e o brinde decoras à letra; o resto pode soar um pouco diferente em cada ensaio. É assim que se cria um discurso pessoal, não um texto recitado.
Não precisas de truques retóricos. Um discurso à mesa vive da cordialidade e do ritmo. Frases curtas, uma imagem, uma risada, um copo: é isso que importa.
Os erros mais comuns
Demasiado longo. O clássico. Cinco minutos parecem quinze à mesa posta, e a cozinha está à espera. Dois a três minutos, e depois o copo.
A história embaraçosa. A despedida de solteiro, o pagamento de impostos em atraso, a ex: o que deixa o convidado de honra em maus lençóis perante a família reunida estraga a noite mais depressa do que comida fria. Em caso de dúvida, conta a história antes a alguém que esteja a par da situação.
Piadas só para quem está a par. Se só o clube de bowling se rir, os outros 30 ouvintes ficam ali sentados a sorrir educadamente. Cada piada tem de funcionar sem que ninguém saiba do que se trata.
Ler com a cabeça baixa. Uma folha A4 entre ti e o grupo transforma o discurso numa simples leitura. Usa cartões com palavras-chave em vez de um manuscrito.
O brinde esquecido. O discurso acaba e ninguém sabe se deve aplaudir ou brindar. A última frase é sempre para o copo erguido, sem exceção.
Espumante antes do discurso. Dois copos para combater o nervosismo e já começam a acumular-se os lapsos de linguagem. Primeiro fala, depois bebe.
Para veres como fica tudo pronto, aqui tens dois exemplos de discursos de mesa completos com análise: uma anfitriã no aniversário redondo da mãe e um diretor de empresa num jantar de aniversário da empresa.
É assim que crias o teu discurso de mesa com a eloqole
Dás ao eloqole a ocasião, o convidado de honra, duas recordações e a duração que queres. A partir daí, surge um discurso de mesa completo com saudação, anedota e brinde, humorístico ou solene, conforme preferires, com duração exata de dois ou três minutos. Aperfeiçoa as frases, imprime o cartão de notas e ensaia duas vezes em voz alta. Não é preciso mais do que isto para que um discurso antes da refeição fique na memória por muito tempo.