Exemplos

Apresentação científica: abertura e diapositivos

Dois exemplos para a apresentação científica: a abertura de uma doutoranda num congresso e uma dramaturgia de 10 diapositivos.

Última atualização: 9 de julho de 2026

Dois elementos de que depende a maioria das apresentações em conferência: a abertura e o plano de diapositivos. Ambos estão aqui completamente formulados: os estudos são inventados, a dramaturgia é real. Depois de cada exemplo fica dito porque é que resulta. A estrutura por trás explica-a a página Apresentação Científica.

Exemplo 1: A abertura da comunicação no congresso

Situação: reunião anual da Sociedade Alemã de Ciência do Solo, intervenção de 15 minutos à tarde, a décima primeira comunicação do dia. Miriam Stenzel, doutoranda no terceiro ano, apresenta o seu primeiro estudo. Os primeiros dois minutos:

Boa tarde. O meu nome é Miriam Stenzel, faço o doutoramento na Universidade de Hohenheim, na área da biologia do solo.

Antes de chegar aos nossos dados, um número vindo da prática: um hectare de terra arável em Baden-Württemberg recebe, em média, sete toneladas de composto por ano. O composto passa por ser o adubo limpo: regional, com valorização em ciclo, subsidiado. O que não entra na lógica dos apoios: com cada tonelada chegam ao campo, segundo as nossas medições, em média 895 partículas de plástico por quilograma. O composto vem do caixote dos biorresíduos — portanto, também do vosso e do meu.

A nossa pergunta de investigação foi, por isso: os microplásticos da adubação com composto acumulam-se de forma mensurável na camada superficial do solo e, se sim, com que rapidez?

A resposta já de início, para saberem ao que levam os próximos doze minutos: sim, e mais depressa do que preveem os modelos de aporte habituais. Em parcelas com mais de dez anos de adubação com composto encontrámos, em média, 1.480 partículas por quilograma de solo, o triplo das parcelas de comparação adubadas com fertilizante mineral. A relação com a duração da adubação é linear. Não vemos qualquer patamar.

Como chegámos a estes números: recolhemos amostras em 60 parcelas agrícolas de três distritos, metade adubada com composto, metade com mineral, emparelhadas por tipo de solo e rotação de culturas. Identificámos as partículas por espetroscopia Raman, a partir de dez micrómetros. Os pormenores da preparação das amostras estão num diapositivo de reserva. Perguntem à vontade na discussão.

Nos próximos minutos vou mostrar-vos três coisas. Primeiro, a curva de acumulação ao longo dos anos de adubação. Segundo, que polímeros dominam. Pequeno aparte: não é a película de cobertura. E, terceiro, o que os nossos dados significam para a revisão da portaria dos biorresíduos, que está agora em negociação. Comecemos pela curva.

Porque funciona: O resultado aparece no segundo minuto, já com a dimensão do efeito. A sala consegue acompanhar a dedução porque conhece o destino. A abertura vai buscar a relevância à prática (sete toneladas de composto por hectare) e, com o caixote dos biorresíduos, arrasta-a até ao dia a dia de quem ouve. O método cabe em quatro frases: amostra, desenho, instrumento de medição, pronto. Os pormenores seguem, devidamente anunciados, para o diapositivo de reserva, o que transmite domínio e alivia o corpo da apresentação. E a agenda traz um anzol («não é a película de cobertura») que quebra uma expectativa e prende a sala até à segunda parte. A referência à revisão em curso dá à discussão um tema antes de ela começar.

Exemplo 2: A dramaturgia de 10 diapositivos com uma frase central por diapositivo

Situação: congresso da Sociedade Alemã de Investigação do Sono e Medicina do Sono, 15 minutos mais discussão. Jonas Brenner, doutorando, apresenta um estudo de campo sobre a sesta planeada no serviço de emergência pré-hospitalar. A frase central é a única frase que ele diz em cada diapositivo, antes de o explicar:

Diapositivo 1: título e gancho. «Às quatro da madrugada, um socorrista reage, em média, com o mesmo atraso que um condutor com 0,8 g/l de álcool no sangue — e é precisamente nessa janela que há mais chamadas.»

Diapositivo 2: pergunta de investigação. «Queríamos saber: uma sesta planeada de 20 minutos entre as duas e as quatro da madrugada evita esta quebra?»

Diapositivo 3: resultado central. «Evita-a: às 4h30, o grupo da sesta estava 22 por cento mais rápido do que o grupo de controlo, ao nível que ambos os grupos tinham à meia-noite.»

Diapositivo 4: método. «132 socorristas em onze bases de emergência, aleatorizados por base, durante três meses, tempo de reação medido com o teste de vigilância psicomotora, diretamente em serviço.»

Diapositivo 5: resultado principal em curva. «Sem sesta, o desempenho cai a pique a partir das duas; com sesta, a curva mantém-se plana. A distância abre-se exatamente na janela com mais chamadas.»

Diapositivo 6: a objeção mais forte (a inércia do sono). «Podemos desmontar o receio do “torpor” ao acordar: doze minutos depois de despertar, o tempo de reação estava de novo no nível de partida, e nenhuma saída arrancou mais cedo por causa disso.»

Diapositivo 7: relevância prática. «Uma base com 4.000 saídas por ano faz cerca de 640 delas depois das duas da madrugada. É desse número que aqui se trata.»

Diapositivo 8: limitações. «O que o estudo não consegue fazer: medimos tempos de reação. Se com isso os erros de tratamento se tornam mais raros, terá de o mostrar um estudo de seguimento.»

Diapositivo 9: enquadramento na literatura. «O nosso efeito é maior do que o dos estudos de laboratório, provavelmente porque um turno real de 24 horas cansa mais do que qualquer um simulado.»

Diapositivo 10: mensagem central e convite. «Vinte minutos de sono planeado são a medida de segurança mais barata no serviço noturno. E interessa-me saber quem de vós já teve de lidar com a resistência vinda da elaboração das escalas.»

Porque funciona: O resultado está no diapositivo 3, o método precisa de um único diapositivo. A armadilha clássica, oito minutos a descrever a amostra, fica assim excluída. Cada diapositivo carrega exatamente um número e uma frase que se aguenta sozinha; quem ouça apenas as dez frases centrais fica a conhecer o estudo. O diapositivo 6 antecipa a objeção que surge sempre em primeiro lugar numa discussão sobre sestas, e o diapositivo 8 nomeia o limite do estudo pela boca de quem apresenta. À pergunta mais crítica da sala fica assim retirado o gume. O último diapositivo dispensa o «muito obrigado pela vossa atenção» e abre a discussão com uma pergunta concreta a que os profissionais na sala vão querer responder.

O padrão por trás disto

Ambos os exemplos invertem a lógica do artigo científico: o resultado vem antes da dedução, o método reduz-se ao mínimo indispensável de confiança, e a limitação é dita por quem apresenta. O teste para a tua própria comunicação: escreve primeiro a única frase central de cada diapositivo. Se essa sequência de frases contar o estudo, a dramaturgia está de pé, e o resto é ornamento. Como chegar daí ao texto falado final, mostra-o a página Apresentação Científica. O eloqole escreve-to exatamente à medida da tua janela de tempo.

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