Exemplos

Renovar os votos: dois textos completos com análise

Dois textos para renovar os votos de casamento: aos 25 anos de casados e depois de uma doença ultrapassada.

Última atualização: 10 de julho de 2026

Dois votos de casamento renovados e completos, cada um para uma ocasião diferente. Os nomes são inventados, a estrutura é transferível. Um voto renovado é curto: 100 a 150 palavras, pouco menos de um minuto. Depois de cada texto explica-se porque é que funciona. A estrutura, o enquadramento e as ocasiões são explicados na página Renovar os votos de casamento.

Exemplo 1: Aos 25 anos, com um olhar sobre a primeira promessa

Situação: Cerimónia laica no jardim, nas bodas de prata, 40 convidados, ela fala primeiro.

Thomas, há 25 anos prometi-te amar-te nos bons e nos maus momentos. Foi a sério, e não fazia a mínima ideia do que estava a falar.

Hoje sei. Bons momentos: dois filhos, uma casa com um alpendre torto, o teu cantar na cozinha. Maus: o ano em que o pai partiu, e tu estavas lá todas as noites, sem tentar uma única palavra sábia. Estavas simplesmente lá. Isso foi mais sábio do que tudo.

Prometo-te hoje o mesmo que na altura, mas desta vez sei o que custa e o que vale. E prometo-te uma coisa nova: deixo de comentar o teu cantar na cozinha. Os próximos 25 anos são nossos.

Porque é que este texto funciona: O texto cita o primeiro voto à letra e faz da distância até hoje o próprio tema: na altura a frase era uma fórmula, agora está cheia. Bons e maus momentos recebem, cada um, uma imagem concreta, o alpendre torto e o ano de luto, em vez de uma enumeração. E a nova promessa acaba com uma frase pequena e verificável sobre o cantar na cozinha, que faz os convidados rir e é justamente por isso que fica.

Exemplo 2: Depois de uma doença ultrapassada

Situação: Cerimónia pequena no círculo familiar mais próximo, um ano depois do fim do tratamento dele, ele fala.

Marie, quando casámos em 2012, prometi-te apoio, na saúde e na doença. Pensava, na altura, que essa era a minha parte: amparar-te quando as coisas apertassem.

Veio ao contrário. No último ano, foste tu a cumprir essa promessa pelos dois. Foste comigo a todas as consultas, fizeste as perguntas quando me faltavam as palavras, e nos dias maus punhas simplesmente a mesa, como se o bom já estivesse garantido.

Hoje estou aqui, e sinto-me bem. Por isso renovo a minha promessa e junto-lhe outra: tempo. As noites de terça-feira passam a ser nossas, sem telemóvel. Agora sabemos quanto vale um ano. Tenciono gastar muitos deles contigo.

Porque é que este texto funciona: A doença recebe apenas um enquadramento, «no último ano» e «a todas as consultas», e nenhum pormenor; quem lá esteve sabe tudo, quem não esteve não precisa de saber. O texto vira do avesso a primeira promessa: foi ela a cumprir o que ele tinha prometido, e essa inversão sustenta tudo o resto. A nova promessa é pequena e verificável, as noites de terça-feira sem telemóvel. A última frase arrisca o humor no ponto mais sério, sem o desvalorizar.

O padrão por trás dos dois textos

Ambos os textos seguem o mesmo caminho: citar a primeira promessa, enchê-la com duas imagens concretas dos anos de casamento, e depois juntar uma nova promessa verificável. Ambos ficam abaixo das 150 palavras e guardam uma frase leve para o fim. Quando escreverem os vossos próprios votos: comecem pela letra de então e escrevam o que sabem hoje sobre ela. A eloqole dá-lhe a forma de texto, que no grande dia só terão de dizer.

Renovação dos votos matrimoniais

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